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    Análise Heurística no Magic, por Jonas Locke.
    Por: PlayGround em 25/07/17 18:00 | 0 comentários e 1,568 visitas Acompanhar blog

    Análise Heurística no Magic

    Fala galera!

    Hoje falaremos sobre análise heurística no Magic. Vamos começar explicando brevemente o que seria Heurística:

    “Heurísticas são processos cognitivos empregues em decisões não racionais, sendo definidas como estratégias que ignoram parte da informação com o objetivo de tornar a escolha mais fácil e rápida.”(WIKIPEDIA, 2017).

    Esse artigo propõe um modelo de analise, uma tese que ainda está em desenvolvimento. Nada do que você vai ler aqui é um fato, são apenas sugestões, ideias que vem dando certo para mim.

    Vamos lá, o que seria heurística no Magic?

    Podemos utilizar os conceitos de heurística principalmente na construção de decks, reduzindo a quantidade de cartas que consideramos viáveis para montar de um deck específico.

    O objetivo da utilização da heurística é reduzir o tempo utilizado testando a eficiência das cartas, não sendo necessário testar todas as cartas legais no formato nas cores do seu deck. Só precisamos testar as cartas que já tiveram sucesso comprovado.

    Tá confuso ainda? Vamos para um exemplo.

    No modern, o deck affinity está entre os tiers desde a criação do formato. Com o passar do tempo a lista vem se adaptando ao ambiente, se moldando para combater novos decks que surjam e/ou melhorando suas próprias fraquezas.

    No Pro Tour Philadelphia em 2011 Chikara Nakajima ficou em quarto lugar com seu Mono-Red Affinity, o deck usava Blood Moon no side, estratégia que deixa a base de mana pior e impede os manland de serem utilizados.

    [deck=601272]

     

    A diferença dessa lista de 2011 para as listas atuais é grande. Cartas como Atog, Fling, Frogmite, Shrapnel Blast, Mindbreak trap e Torpor Orb dificilmente serão vistas em listas de 2017. Essas cartas foram removidas pois não se alinham mais com a proposta do deck, elas continuam legais no modern, não foram banidas e continuam atendendo ao requerimento de mana. Ou seja, a decisão de removê-las foi estratégica.

    Analisando uma lista, mais recente, Takeshi Kagawa levou seu Affinity ao sexto lugar no Grand Prix Kobe 2017. Vamos ver sua lista:

    [deck=601296]

     

    É possível perceber que as listas divergem bastantes, mostrando como o deck mudou, se adaptando ao ambiente. Podemos aplicar heurística ao montar uma lista de affinity para jogar em um ambiente diferente, com menor variedade de decks. Normalmente não olhamos todas as cartas legais no modern que podem ser conjuradas pela base de mana do deck. De maneira intuitiva procuramos inicialmente cartas que se alinham com sua mecânica.

    Com o propósito didático dividiremos a aplicação da heurística em cinco níveis. Cada novo nível aprofundará mais o conceito com o intuito de reduzir nossa amostra de cartas. Chegando ao quinto nível reduziremos de maneira significativa nossa amostra, tornando os testes mais fáceis, tangíveis. Os dois primeiros níveis de aplicação da heurística são intuitivos, “fazemos e não percebemos”. 

    1° nível de aplicação - Formato:

    Aplicação de nível básico, começamos entendendo em qual formato o deck se encaixa. Não desperdiçaremos nenhum segundo sequer olhando para cartas que não são do formato do deck, essa é a redução mandatória. Modern aceita cartas lançadas a partir de Mirrodin, levaremos em consideração também a lista de banidas.

    O formato modern tem 10887 cartas legais (segundo o gatherer.wizards.com), contudo, intuitivamente sabemos que nem todas essas cartas são jogáveis. A nossa proposta é de analisar apenas as cartas que tem potencial de jogo. Não queremos um Colosso de Sardia no afinity, correto?

     

    2° Nível de aplicação – Restrição de Mana:

    Precisamos entender se as cartas que pretendemos utilizar podem ser conjuradas com nossa base de mana. Nesse ponto podemos considerar também cartas que, apesar de apresentarem custo de mana específico diferente de nossa base tenham custos alternativos, podendo ser utilizadas pelo seu deck sem nenhum problema. O exemplo perfeito disso seria a carta Dismember, que comumente é utilizada por decks que não produzem mana preta.

    O affinity tem uma base de mana que pode conjurar mágicas de qualquer cor, portanto continuamos com 10887 possíveis cartas para usar no nosso deck. De maneira empírica chegamos até esse nível, sem perceber que estamos fazendo essa redução, mas normalmente paramos aqui.

     

    3° Nível de aplicação – Alinhamento com mecânica do deck:

    Nesse nível é considerada a intenção do seu deck, seu propósito e seu posicionamento nas partidas. Decks reativos terão mais repostas do que cartas que impõem seu próprio estilo de jogo. Decks azuis tendem a ser reativos, mas nem sempre, um bom exemplo disso seria o deck Merfolk, que, apesar de ser azul, tem mais criaturas do que counters, visto que seu plano de jogo consiste em vencer o oponente nos primeiros turnos do jogo.

    Esse nível é um pouco complexo e até subjetivo, visto que poderíamos utilizar basicamente qualquer carta para um affinity. Com o um proposito didático vamos utilizar somente cartas com custo de mana convertido menor que dois. Essa redução especificamente estaria excluindo cards como Etched Champion, muito utilizado em várias listas, assim como cartas com custo de mana elevado e com a habilidade afinidade por artefatos. O propósito é meramente didático. Chegamos assim a 3865 cartas possíveis para nosso deck.

     

    4° nível de aplicação – Cartas que obtiveram sucesso:

    Aqui percebemos de maneira mais clara a efetividade da heurística, Magic é um jogo com muitas variáveis, a cada três meses saem cartas novas, novas mecânicas, novas interações. Testar todas as cartas que sobraram após os últimos três níveis de aplicação demandaria muito tempo, a premissa é: se uma carta fosse boa, alguém em algum lugar do mundo já teria usado.

    Nesse nível vamos reduzir nossos números a cartas que foram utilizadas em decks que tiveram resultados positivos nos campeonatos que jogaram. Vamos analisar somente as cartas que já foram comprovadas que tem sucesso no modern. Segundo dados extraídos do site MtgTop8 apenas 878 cartas diferentes foram utilizadas para construir decks modern nos últimos 2 meses.

     

    5° nível de aplicação – Cartas que com sucesso que se alinham com nosso deck:

    Chegamos ao nível mais específico de aplicação, aqui podemos reduzir a uma quantidade bem menor de cartas que merecem nossa atenção, que merecem ser testadas. Olhando somente listas de GP’s e PT’s, os últimos 20 decks affinity que obtiveram sucesso se resumem a utilização de 58 tipos de cartas diferentes.

     

     

     

    Terrenos

    Criaturas

    Mágicas

    Sideboard

    Blinkmoth Nexus

    Arcbound Ravager

    Collected Company

    Ancient Grudge

    Ghirapur Aether Grid

    Spell Pierce

    Darksteel Citadel

    Etched Champion

    Cranial Plating

    Bitterblossom

    Grafdigger's Cage

    Spellskite

    Glimmervoid

    Hangarback Walker

    Dispatch

    Blood Moon

    Gut Shot

    Stubborn Denial

    Inkmoth Nexus

    Master of Etherium

    GalvanicBlast

    Chalice of the Void

    Hangarback Walker

    Thoughtseize

    Inventors' Fair

    Memnite

    MoxOpal

    Dismember

    Hurkyl's Recall

    Tormod's Crypt

    Island

    Ornithopter

    Springleaf Drum

    Dispatch

    Ray of Revelation

    Torpor Orb

    Mountain

    SignalPest

    Stubborn Denial

    Duress

    Relic of Progenitus

    Vandalblast

    Sea Gate Wreckage

    Spellskite

    Thoughtcast

    Eidolon of Rhetoric

    Rest in Peace

    Wear / Tear

    Snow-Covered Island

    Steel Overseer

    Welding Jar

    Ensnaring Bridge

    Rule of Law

    Whipflare

    Spire of Industry

    Vault Skirge

     

    Etched Champion

    Sea Gate Wreckage

     

     

    Neste quadro podemos ver que apenas dez criaturas diferentes são utilizadas na maioria das listas, apenas nove mágicas. No sideboard a variedade aumenta, faz sentido termos um leque maior de opções, normalmente mexemos mais no side do que no próprio main deck.

    Agora ficou fácil! Calma, vamos devagar, testar a combinação de 58 cartas diferentes para montar um deck de 75 cartas não é tão tranquilo assim, mas sem dúvidas nosso trabalho será menor. O principal objetivo da utilização da heurística é otimizar o tempo utilizado para testar listas da maneira mais efetiva possível. É muito provável que a lista ideal para o seu próximo torneio esteja dentro dessas 58 cartas citadas acima, também é muito improvável que a resposta para aquela match complicada esteja fora dessa lista. Com a heurística, reduzimos em 99,47% a quantidade de cartas a serem testadas:

    Tenho utilizado esse método há algum tempo, ele tem me ajudado consideravelmente a montar melhores sideboards e listas mais consistentes de maneira geral. Espero que esse método ajude outras pessoas a otimizar tempo nos testes e a atingir o principal objetivo: ganhar campeonatos. Este método está em construção, voltarei a escrever sobre assim que surgirem novas atualizações, novas ideias.

    Ficamos por aqui, espero que tenham gostado.

     

    Jonas Locke.


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